Dizem que o vazio não ocupa espaço, mas qualquer um que já tenha engolido um "fica" ou um "me perdoa" sabe que o silêncio é a coisa mais pesada que o coração pode carregar.
Existem palavras que nascem para o ar, feitas de som e hálito. E existem aquelas que nascem para dentro, como raízes que perfuram o peito em busca de um chão que não encontram. Essas, as não ditas, são as que mais fazem barulho na calada da noite.
O Nó na Garganta
O silêncio não é ausência de som; é o acúmulo de tudo o que não tivemos coragem de ser. É o "eu te amo" que morreu no caminho dos lábios, o "estou cansado" que se disfarçou de sorriso amarelo, a mágoa que, de tanto ser guardada, virou mobília da casa.
O que a boca não pronuncia, o corpo escreve em linhas tortas: um ombro que cai, um olhar que se esquiva, uma porta que se fecha sem ruído, mas com um estrondo que a alma escuta.
A Mensagem Mais Barulhenta
Não se engane: o silêncio é uma resposta completa. Ele é a pontuação final de uma história que não precisava terminar, ou o grito de socorro de quem já gastou todo o vocabulário tentando ser compreendido.
Às vezes, calamos porque a dor é grande demais para caber em letras. Outras vezes, porque a palavra seria apenas um fósforo aceso em um quarto cheio de pólvora. Mas o preço de não dizer é o eco. A palavra dita passa; a palavra guardada reverbera para sempre dentro de nós.
Entre o Som e a Pausa
Que a gente perca o medo da vulnerabilidade. Falar é desarmar-se. É deixar que o outro veja o que temos nas mãos, sem escudos.
Afinal, a vida é curta demais para sermos bibliotecas de sentimentos inéditos. Que a gente aprenda a soltar os pássaros da garganta enquanto ainda há céu. Porque, no fim das contas, o silêncio mais triste não é o de quem não tem o que dizer, mas o de quem guardou tanto, que acabou se esquecendo de como se faz para falar.
Escrevo para vocês com amor e carinho, do vosso Mensageiro do Tempo: Luciano João Ferraz Romão.
0 Comentários