Até dar certo, tudo é vergonha


Até dar certo, tudo é vergonha

Errar é como tropeçar em praça pública: a gente sente os olhares, mesmo que ninguém esteja reparando. O coração acelera, o rosto esquenta, e vem aquela vontade de sumir. É a vergonha, o preço de quem ousa tentar.

Cada tentativa falha parece um carimbo de incompetência, mas é só rascunho. Só quem insiste descobre que o ridículo é temporário e que, depois do acerto, ninguém se lembra das quedas. Ou melhor: lembra, mas como parte da narrativa de vitória.

Até dar certo, tudo é vergonha. Depois que dá certo, tudo é história.

A vergonha é como o chão frio: incomoda, mas também sustenta.

É ela que nos ensina humildade quando o orgulho queria ser maior do que a coragem.

Quem nunca desistiu por medo de parecer pequeno?

Quem nunca escondeu um sonho porque achou ridículo demais sonhá-lo em voz alta?

O curioso é que, depois que dá certo, aquilo que parecia ridículo se torna inspiração.

O que antes era piada vira exemplo.

E a mesma boca que ria é a que pergunta: “como você conseguiu?”.


O segredo é aceitar a vergonha como parte do caminho.

Ela é só o casulo. O voo começa depois.


Até dar certo, tudo é vergonha.

Mas a vergonha é só o disfarce do aprendizado.

Ela cobre os passos inseguros, os tropeços e os “quase” que ninguém celebra.

E um dia, sem aviso, o que parecia fraqueza se revela força.

A gargalhada dos outros perde eco.

A dúvida dá lugar à certeza.

E a vergonha, aquela que tanto pesava, se transforma em orgulho silencioso.

Porque no fim, ninguém lembra quantas vezes você caiu.

Só lembram que você levantou — e conseguiu.

Isso mesmo, eu  levantei e consegui!


Por: LUCIANO J. F. ROMÃO

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